Para 99% dos brasileiros, a corrupção na política é um problema grave. Desses, 95% consideram o tema “muito grave”, o grau máximo em uma escala de percepção. O índice coloca a questão no topo de uma lista de dez itens avaliados em uma pesquisa nacional de opinião pública, superando até mesmo a preocupação com roubos e furtos (98%) e com o preço alto dos alimentos (96%). O levantamento foi encomendado pelo Instituto de Ciência e Liberdade (ICL) e realizado pela Ágora Consultores entre 17 e 23 de novembro de 2025, ouvindo 9.497 pessoas em todo o país.
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A pesquisa buscou mapear a percepção de gravidade e a urgência que a população atribui a cada tema. Quando perguntados de forma aberta sobre a gravidade, praticamente todos os problemas listados foram vistos como sérios pela ampla maioria. No entanto, ao serem solicitados a escolher apenas os três mais urgentes, o cenário mudou e revelou prioridades bem definidas.
A corrupção na política se isolou como a prioridade máxima: 86% dos entrevistados a incluíram em seu “top 3” de urgências. Em um distante segundo lugar, aparecem os roubos e furtos contra trabalhadores, com 53%. O preço alto dos alimentos ficou em terceiro, com 47%. As taxas de juros abusivas, que na pergunta aberta empatavam com a carestia (96%), caíram para 35% na hora da priorização, mesmo percentual obtido pelo item “falta de Deus na vida das pessoas”.
A discrepância entre considerar um problema grave e vê-lo como urgente ficou mais evidente no caso da corrupção nas empresas privadas. Na pergunta inicial, 93% a consideraram grave (76% “muito grave”). Porém, ao ranquear as urgências, apenas 16% a colocaram entre as três principais, fazendo com que o tema ficasse em último lugar na lista de prioridades.
Para o cientista político Diego Villanueva, diretor da Ágora Consultores, a diferença reflete uma percepção de impacto no cotidiano. A corrupção pública é vista como algo que afeta diretamente a vida das pessoas, enquanto a corrupção privada é percebida como um problema mais distante, cujas consequências exigem um esforço maior para serem compreendidas.
Temas tradicionalmente associados a agendas morais aparecem com percentuais altos de gravidade, mas em posições intermediárias na hora da prioridade. O racismo estrutual é visto como grave por 76%, mas é prioridade para 21%. A proteção ambiental e o combate ao aquecimento global têm 71% de gravidade e 26% de urgência. O preconceito contra LGBTQIA+ é considerado grave por 69%, mas urgente para 18% – ainda que, entre os que o veem como grave, metade (50%) o classifique como “muito grave”.
A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos. A amostra foi estratificada por estado e calibrada por sexo, idade, escolaridade e área, seguindo procedimentos de controle de qualidade. As conclusões do trabalho estão sendo publicadas em primeira mão pela Revista Liberta.
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