A chegada do período chuvoso trouxe não apenas a queda das temperaturas e o aumento da umidade, mas também um velho conhecido das famílias brasileiras: as viroses respiratórias. Em meio ao cenário de alta nos atendimentos pediátricos, o relato da dona de casa Marta Virtudes, 37 anos, moradora do Cohatrac IV, ilustra o que milhares de mães e pais enfrentam nos consultórios e prontos-socorros. Em poucos dias, seus três filhos, de 12, 10 e 8 anos, adoeceram quase simultaneamente.
“Eu sempre fui muito cuidadosa com eles. Cobro que lavem as mãos, não deixo compartilhar copo, essas coisas. Mesmo assim, os três pegaram virose agora nesse período de chuva”, conta Marta. O que começou com febre evoluiu para tosse e falta de apetite, deixando a rotina da casa de pernas para o ar. “A gente fica apreensiva, porque são três crianças doentes ao mesmo tempo”, afirma.
O susto de Marta não é isolado. A edição mais recente do Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), confirma a tendência nacional de alta nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Até o início de 2026, 23 estados, incluindo o Maranhão e o Distrito Federal, registraram crescimento da doença. No total, mais de 14,3 mil casos foram notificados, sendo 35% com confirmação laboratorial para vírus respiratórios.
Entre os principais agentes identificados estão o rinovírus (mais comum entre crianças e adolescentes), o vírus sincicial respiratório (VSR), que afeta principalmente bebês, e a influenza A, que também atinge jovens, adultos e idosos.
Diante do quadro, a pediatra e infectologista da Hapvida, Mônica Gama, reforça que a prevenção ainda é a ferramenta mais eficaz. “A medida mais importante é a lavagem frequente das mãos: antes das refeições, após usar o banheiro, depois de brincar fora de casa e após tossir, espirrar ou assoar o nariz. O ideal é usar água e sabão por pelo menos 20 segundos. Quando não for possível, utilize álcool 70%”, orienta.
A médica também chama a atenção para a higiene de objetos e superfícies. “É muito importante higienizar brinquedos e superfícies e evitar compartilhar objetos pessoais como copos, talheres, garrafas de água, chupetas e brinquedos que vão à boca. Esses itens podem facilitar a transmissão de vírus”, alerta.
Mesmo com os dias de chuva, arejar a casa continua sendo uma recomendação fundamental. “É importante manter os ambientes ventilados, abrindo janelas sempre que possível, e evitar locais fechados e lotados, já que a ventilação reduz a concentração de vírus no ar”, explica a infectologista.
Para conter a disseminação entre os pequenos, ensinar gestos simples faz diferença. “É importante orientar a criança a cobrir boca e nariz com o braço ao tossir ou espirrar, usar lenços descartáveis e lavar as mãos após esses episódios”, completa Mônica Gama, que ainda destaca o papel das vacinas: “Vacinas previnem várias infecções virais importantes na infância”.
Sinais de alerta
Os sintomas mais comuns das viroses respiratórias incluem febre, coriza, tosse e perda de apetite. A maioria dos casos pode ser tratada em casa ou com suporte de telemedicina. No entanto, a pediatra lista os sinais que exigem atenção médica imediata: febre que não cede com antitérmico, vômitos ou diarreia, tosse intensa que atrapalha o sono ou a alimentação, sonolência, irritabilidade, choro inconsolável, diminuição do volume urinário e respiração rápida.
Enquanto acompanha a recuperação dos filhos, Marta diz seguir todas as orientações médicas. “Agora é cuidado redobrado. Estou dando bastante líquido, controlando a febre e observando eles o tempo todo”, afirma.
Para os casos leves, o tratamento caseiro costuma ser suficiente. “É fundamental manter a hidratação, oferecer líquidos com frequência, usar soro fisiológico nasal várias vezes ao dia e observar os sinais de alerta”, orienta Mônica Gama. Ela faz um alerta importante: “Para o controle da febre e do desconforto, pode-se usar antitérmico conforme a idade e orientação médica, mas não se deve dar outros remédios sem recomendação”. Na alimentação, a recomendação é respeitar o apetite da criança. “Não é indicado forçar. O ideal é oferecer alimentos mais leves e em pequenas quantidades, além de manter a amamentação”, finaliza.
Leia outras notícias em recordnewsma.com. Siga a Record News MA no Instagram, curta nossa página no Facebook e se inscreva em nosso canal no Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso WhatsApp (98) 99100-8186.




