A poucos dias do retorno das aulas, a única escola do povoado de São Sebastião dos Prestos, no interior do Maranhão, prepara-se para um reinício marcado pela dor e pela esperança. O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, 6 anos, e Allan Michael, 4 anos, no último dia 4 de janeiro, transformou o local, que serve de base para as equipes de busca e apoio psicológico aos moradores.
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A unidade escolar tornou-se um ponto de referência para a comunidade abalada, atendendo principalmente casos de ansiedade. A diretora Mary Jane Frazão descreve o impacto coletivo: “Todos somos praticamente da mesma família, então não está sendo nada fácil”. O caso ganhou contornos mais complexos após o primo das crianças, Anderson Kauã, 8 anos, ser encontrado quatro dias depois do ocorrido. Após alta hospitalar, o menino levou policiais até uma cabana abandonada próxima ao Rio Mearim, trajeto que teria feito com os primos.
Uma força-tarefa envolvendo Polícia Civil, Exército e Marinha atuou com varreduras por terra, água e ar, além do uso de cães farejadores e tecnologia. Após semanas de intensa mobilização, o número de agentes nas buscas foi reduzido, mas as investigações foram intensificadas para levantar novas linhas de apuração. Até o momento, não há pistas sobre o paradeiro das crianças.
Combate à desinformação
As autoridades têm se empenhado publicamente para combater a onda de desinformação que cerca o caso. O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Éderson Martins, desmentiu veementemente os boatos que circulavam nas redes sociais sobre uma suposta venda das crianças pela mãe e pelo padrasto por R$ 35 mil. Martins alertou que a disseminação de notícias falsas coloca a família em situação de risco e atrapalha as investigações, reiterando que os pais não são alvos da apuração por falta de indícios de crime.
Outro boato, de que as crianças teriam sido vistas em um hotel no centro de São Paulo, também foi desmentido pela Polícia Civil paulista, que enviou equipes ao local para verificação. O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, reforçou em rede social que todas as pessoas ouvidas até agora o foram na condição de testemunhas, e condenou a divulgação de informações não confirmadas, que ampliam o sofrimento da família e prejudicam o trabalho policial.
Enquanto aguardam notícias, os moradores de São Sebastião dos Prestos tentam retomar a rotina, com os olhos voltados para a escola e o coração na esperança de um desfecho que traga as crianças de volta para casa.
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