A participação de estudantes do Centro Educa Mais (CEM) Professor Aquiles Batista Vieira, em Alcântara (MA), na programação de um satélite lançado da base espacial do município tornou-se um marco para os jovens da escola pública. A experiência, desenvolvida ao longo de 2024 dentro da estrutura do Ensino Médio em Tempo Integral, permitiu que cerca de 60 alunos tivessem contato com formação técnica e científica aplicada ao monitoramento ambiental e à tecnologia espacial.
📲 Entre no nosso canal do WhatsApp agora mesmo e receba as notícias diretamente no seu celular!
O projeto Cientistas de Alcântara foi articulado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em parceria com a Fundação Sousa Andrade e a Agência Espacial Brasileira. A iniciativa começou com 20 estudantes bolsistas do Ensino Médio Integral e professores da unidade. Durante o ano, os participantes passaram por capacitações em lógica de programação, sensores e análise de dados. Com a criação da eletiva Ciência Cidadã, a ação foi ampliada para cerca de 40 alunos dos três anos do ensino médio.
A professora de Química Giulia Mara Silva e Souza acompanhou todas as etapas do projeto na escola. Segundo ela, os estudantes participaram desde a capacitação técnica até a programação do satélite que seria integrado ao foguete lançado em dezembro. O processo formativo foi apontado como o aspecto mais relevante da experiência.
O lançamento ocorreu na base de Alcântara. Após sair da rota prevista, o foguete foi explodido antes de atingir a órbita. Ainda assim, de acordo com a professora, a vivência consolidou conhecimentos técnicos e ampliou horizontes acadêmicos dos jovens. Alguns estudantes chegaram a chorar no dia do lançamento, mas o aprendizado construído ao longo do processo foi considerado significativo.
Dentro do modelo integral, a escola estruturou a eletiva Ciência Cidadã para dar continuidade ao projeto. A disciplina foi idealizada pela professora Ana Maria Bender Seidenfuss das Neves e integrou a formação em satélites a ações de monitoramento ambiental no território. Os estudantes aplicaram conceitos de matemática, física e tecnologia em situações reais, realizaram medições ambientais, organizaram dados em planilhas e apresentaram resultados em mostras científicas.
Segundo Giulia, a escola em tempo integral foi determinante para a consolidação da experiência. A permanência ao longo de todo o dia na escola e o acompanhamento próximo possibilitaram o aprofundamento das atividades. O protagonismo juvenil, pilar do modelo integral, ficou evidente na participação dos estudantes na escrita da eletiva, na organização dos cronogramas e na divisão de responsabilidades.
A vivência influenciou diretamente as escolhas acadêmicas dos participantes. Fernando Guimarães, de 19 anos, ingressou no projeto quando cursava a segunda série e foi aprovado em Engenharia Mecânica na Universidade Estadual do Maranhão (Uema). O estudante relatou que sua postura diante dos estudos mudou ao longo do ensino médio integral. Anne Vitória Ribeiro, de 18 anos, também integrou o projeto desde o segundo ano e decidiu ingressar no Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Segundo ela, o contato com a formação científica ajudou a estruturar seu futuro acadêmico.
Na escola, cerca de 60 estudantes estiveram envolvidos nas atividades relacionadas ao projeto.
O Ensino Médio em Tempo Integral é uma proposta pedagógica nacional, pública e gratuita, presente em cerca de 6 mil escolas em todo o país, beneficiando mais de 1 milhão de estudantes. O modelo trabalha pilares como projeto de vida, aprendizado na prática, protagonismo juvenil, acolhimento, orientação de estudos e eletivas, que promovem a formação completa do estudante junto aos componentes curriculares da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e da formação diversificada.
