O ano de 2025 entrou para a história da pecuária brasileira com recordes consecutivos de abate. Dados divulgados nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o abate de bovinos, suínos e frangos atingiu os maiores patamares da série histórica, impulsionado pela forte demanda externa, mercado interno aquecido e supersafra de grãos que barateou a ração.
O abate de bovinos totalizou 42,94 milhões de cabeças em 2025, uma alta de 8,2% em relação ao ano anterior, o que representa 3,25 milhões de animais a mais abatidos. O número supera o recorde anterior, registrado em 2024.
De acordo com a gerente de Pecuária do IBGE, Angela Lordão, o resultado foi puxado pelo abate de fêmeas, que atingiu a participação recorde de 46,8% do total e chegou a superar o abate de machos no segundo trimestre. Outro destaque foi o aumento expressivo no abate de animais jovens com até 2 anos, especialmente novilhas, que representaram 78% dos 8,4 milhões de cabeças dessa categoria. “Esse cenário, favorecido pelo recorde nas exportações e pela forte demanda interna, resultou em preços melhores para o setor”, explicou Lordão.
O crescimento no abate de bovinos foi disseminado pelo país, com 25 das 27 unidades da federação registrando alta. Os maiores acréscimos absolutos vieram de São Paulo (mais 629,22 mil cabeças), Pará (mais 472,77 mil), Rondônia (mais 364,43 mil), Goiás (mais 244,87 mil), Mato Grosso (mais 199,21 mil) e Mato Grosso do Sul (mais 175,09 mil).
Recordes também na suinocultura e avicultura
O abate de suínos também atingiu um novo patamar: foram 60,69 milhões de cabeças em 2025, crescimento de 4,3% (+2,51 milhões) em relação a 2024, o melhor resultado desde o início da série em 1997. Santa Catarina liderou o ranking, respondendo por 28,2% do abate nacional, seguido por Paraná (21,2%) e Rio Grande do Sul (17,9%).
A avicultura acompanhou o ritmo. O abate de frangos somou 6,69 bilhões de cabeças, um avanço de 3,1% (+201,34 milhões) sobre 2024. O Paraná manteve a liderança, com 34,4% de participação, seguido por Santa Catarina (13,7%), Rio Grande do Sul (11,4%) e São Paulo (11,3%).
Angela Lordão destacou que, no caso dos suínos, o desempenho foi sustentado pelo recorde nas exportações, com as Filipinas absorvendo 25,8% do volume embarcado. Apesar da oferta recorde, os preços da proteína permaneceram firmes no mercado interno. “Esse cenário, combinado com a redução dos custos com a ração, com a supersafra de grãos, permitiu o equilíbrio das margens e incentivou o setor ao longo do ano”, afirmou.
Na avicultura, mesmo com os impactos da gripe aviária, a recuperação rápida do status sanitário permitiu a normalização do comércio exterior. “O abate de frangos atingiu o recorde de 6,69 bilhões de cabeças e, mesmo com embargos pontuais, o volume de exportações superou o registrado em 2024, alcançando novo recorde”, acrescentou a gerente.
Leite e ovos também quebram recordes
A produção de leite teve o maior salto da história. Os laticínios com inspeção sanitária captaram 27,51 bilhões de litros em 2025, um aumento de 8,5% sobre 2024 e a maior quantidade desde o início da série em 1997. O supervisor da pesquisa, Marcelo Souza de Oliveira, detalhou que o incremento de 2,15 bilhões de litros entre 2024 e 2025 superou o recorde anterior de crescimento (2004/2005), que era de 1,79 bilhão de litros.
Todas as grandes regiões apresentaram aumento, com destaque para o Sul e o Nordeste. O preço médio do litro pago ao produtor ficou em R$ 2,56, uma leve queda de 1,9% em relação a 2024.
A produção de ovos de galinha também atingiu novo recorde: 4,95 bilhões de dúzias em 2025, alta de 5,7% sobre o ano anterior, mantendo a trajetória de recordes consecutivos iniciada em 1998. Mais da metade das granjas (54,1%) produziu ovos para consumo, respondendo por 82,4% do total.
Couro acompanha ritmo dos frigoríficos
A alta disponibilidade de matéria-prima também impulsionou o setor de curtumes. Foram recebidas 44,03 milhões de peças inteiras de couro cru bovino em 2025, um recorde que supera o patamar de 2006. O volume é 9,8% maior que o registrado em 2024. “O volume processado em 2025 superou o recorde anterior, que perdurava desde 2006, refletindo a alta disponibilidade de matéria-prima no mercado nacional”, destacou Angela Lordão.
Desempenho no quarto trimestre
Na análise trimestral, o abate de bovinos no 4º trimestre de 2025 foi de 11,04 milhões de cabeças, uma queda de 2,7% frente ao trimestre anterior, mas 14% superior ao mesmo período de 2024. O abate de suínos, com 15,29 milhões de cabeças, recuou 3,5% ante o 3º trimestre, mas cresceu 5,8% na comparação com o 4º trimestre de 2024. Já o abate de frangos seguiu em alta: 1,71 bilhão de cabeças, um crescimento de 1,5% em relação ao trimestre imediatamente anterior e de 5,7% na comparação anual.
A produção de ovos no último trimestre somou 1,26 bilhão de dúzias, alta de 4,1% frente ao mesmo período de 2024. A aquisição de leite alcançou 7,36 bilhões de litros no período, um aumento de 8,6% sobre o 4º trimestre de 2024 e de 3,9% em relação ao 3º trimestre de 2025.
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