A produção física da indústria brasileira registrou alta de 0,7% na comparação entre março e abril de 2026, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, já descontadas as influências sazonais, interrompe uma trajetória de estabilidade e aponta para uma reação modesta da atividade industrial no segundo trimestre.
O índice de base fixa com ajuste sazonal para a indústria geral passou de 106,6 pontos em março para 106,9 pontos em abril. No indicador sem ajuste, que compara com igual mês do ano anterior, a alta foi de 2,7%. No acumulado do ano, o setor industrial cresceu 1,7% ante os primeiros quatro meses de 2025, enquanto nos últimos 12 meses a expansão chegou a 0,7%.
O desempenho foi puxado pelas indústrias extrativas, que tiveram crescimento expressivo de 3,1% na margem (mês contra mês imediatamente anterior com ajuste sazonal). Já as indústrias de transformação apresentaram avanço bem mais tímido, de 0,3% no mesmo comparativo.
Entre os ramos da transformação, os principais destaques positivos vieram da fabricação de produtos de fumo, com alta de 3,3% ante o mês anterior, e da fabricação de produtos de borracha e material plástico, que cresceu 3,1%. A fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias recuou 0,7% na margem, enquanto a produção de máquinas e equipamentos caiu 2,9%.
Na comparação com abril de 2025, os maiores recuos foram registrados na fabricação de outros equipamentos de transporte (exclusive veículos automotores), com queda de 7,9%, seguida pela confecção de artigos do vestuário e acessórios, que encolheu 6,5%. No lado positivo, a fabricação de produtos de fumo disparou 33,9% em relação a abril do ano anterior, e a indústria extrativa cresceu 10,6%.
O índice acumulado nos primeiros quatro meses de 2026 mostra contração de 8,7% na fabricação de máquinas e equipamentos e recuo de 6,4% em vestuário. As maiores altas no período vieram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (11,1%) e de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (5,0%).
Os números indicam uma recuperação ainda desigual. Enquanto setores ligados a commodities e a bens de consumo de maior valor agregado mostram fôlego, segmentos tradicionais da indústria de transformação seguem pressionados por custos, concorrência externa e demanda interna fraca.
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