Uma decisão da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís escancarou uma suspeita que já rondava os bastidores do transporte público da capital maranhense: o consórcio Expresso Rei de França, líder do sistema, estaria sendo comandado nos bastidores por um “sócio oculto”. A informação, revelada em audiência judicial por um representante do próprio consórcio, acendeu o alerta do juiz Douglas de Melo Martins.
Para o magistrado, a existência de um gestor sem vínculo formal com a empresa indica tentativa de ocultação de patrimônio. A prática, segundo a decisão, pode inviabilizar futuras indenizações à população, já que dificulta a localização de bens dos verdadeiros responsáveis por prejuízos no serviço de transporte coletivo.
Diante do risco de esvaziamento patrimonial, a Justiça autorizou a desconsideração da personalidade jurídica do consórcio. Na prática, a medida permite que credores e o Ministério Público atinjam bens pessoais dos envolvidos, e não apenas os ativos das empresas. Foram bloqueados valores financeiros, imóveis e veículos de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo, incluindo integrantes que atuam fora do Maranhão.
Entre os alvos da decisão está o empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, apontado pelo juízo como o real controlador do negócio, o chamado “sócio de fato”. A ação civil pública, movida pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA), aponta falhas recorrentes na prestação do serviço e prejuízos diretos aos consumidores.
Salários em dia, subsídios sob vigilância
A decisão judicial trouxe também medidas imediatas para conter a crise operacional. Os recursos destinados ao consórcio não poderão mais ser repassados diretamente às empresas. Em vez disso, serão usados prioritariamente para quitar salários atrasados de trabalhadores da linha de frente, como motoristas e mecânicos. O consórcio tem 24 horas para apresentar ao juízo a lista de funcionários, os valores devidos e os dados bancários para viabilizar os pagamentos.
Além disso, os subsídios públicos pagos ao sistema de transporte serão depositados em juízo, garantindo rastreabilidade e transparência. Recursos destinados ao pagamento de dívidas só poderão ser usados para despesas essenciais à manutenção do serviço, como compra de diesel e peças de reposição.
Investigação criminal e fiscalização nas garagens
O caso não ficará restrito à esfera cível. O juiz determinou o encaminhamento de cópias dos autos à Polícia Civil e ao Ministério Público para apuração de possíveis crimes, como gestão fraudulenta e ocultação de patrimônio.
Paralelamente, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) foi intimada a intensificar a fiscalização nas garagens das empresas do consórcio. Os investigados terão prazo de 15 dias para apresentar defesa.
A decisão atinge diretamente o modelo de concessão do transporte público na região, expondo fragilidades na fiscalização e no controle dos consórcios privados que operam o serviço essencial. A população, prejudicada por falhas recorrentes e atrasos, aguarda agora o desenrolar das investigações e a efetiva recuperação dos valores desviados.
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