O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como uma tentativa de interferência indevida a ação de autoridades americanas que resultou no pedido de saída de um delegado da Polícia Federal do território dos Estados Unidos. A declaração foi dada um dia após o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA publicar uma nota na rede social X informando ter solicitado a retirada de um “funcionário brasileiro” do país. Apesar de o comunicado americano não citar nomes, o contexto indica que a medida se refere ao delegado da PF envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Lula afirmou que o Brasil deseja que as relações ocorram da forma mais correta possível, mas não pode aceitar a ingerência e o abuso de autoridade que alguns personagens americanos tentam impor ao país. A reação do presidente ocorre em meio à tensão diplomática gerada pela nota americana, na qual o órgão acusou o servidor brasileiro de tentar contornar mecanismos formais de cooperação jurídica internacional. O comunicado diz que nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração dos EUA para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território americano, e que o pedido de saída do funcionário se deve a essa tentativa.
Ramagem foi preso em Orlando, na Flórida, no dia 13 de abril, após uma operação de cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos, e solto dois dias depois, na quarta-feira (15). Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal, ele foi condenado em 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento na trama golpista que tentou impedir a posse do presidente Lula. A condenação incluiu crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Após perder o mandato parlamentar em decorrência da condenação, Ramagem fugiu do Brasil para evitar o cumprimento da pena e passou a residir nos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o envio de um pedido formal de extradição ao governo americano, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Polícia Federal informou que a detenção de Ramagem em Orlando foi resultado direto dessa cooperação internacional e que o ex-deputado é considerado foragido da Justiça brasileira.
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