Com temperaturas cada vez mais altas, chuvas irregulares, vilarejos submersos e perdas na produção agrícola e pesqueira, o Maranhão sediou, nesta segunda e terça-feira, o primeiro seminário de meio ambiente e emergência climática do estado. Realizado em São Luís, no prédio da Universidade Aberta do Maranhão (Uema), no centro histórico, o encontro teve como objetivo transformar a preocupação ambiental em plano de ação concreto.
A fala do professor Ronald Chaves, cofundador da Fuma, conselheiro estadual e vice-presidente nacional do Conselho Deliberativo da Reserva da Biosfera do Cerrado, deu o tom da urgência. “A emergência climática é um assunto urgente para hoje, não somente para amanhã”, afirmou.
Ronald, natural de Cururupu, trouxe um exemplo dramático do impacto já em curso: uma ilha do município está com 70% da superfície submersa devido ao avanço do mar. “Municípios sofrem com cheias de rios, alagamentos. Nós precisamos discutir o assunto”, disse.
O seminário começou às 14h de segunda e segue até a tarde de terça. A programação inclui painéis sobre o olhar da sociedade civil, das universidades, do setor empresarial e de produção. Também estão na pauta os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a preparação para a COP30 e o que vem depois da conferência, além de um painel específico sobre governança pública.
Na manhã de terça, o primeiro painel discute o papel da sociedade civil no enfrentamento à crise. O professor reforçou que o momento atual exige mitigação — ou seja, reduzir e amenizar os danos já inevitáveis. “Já não tem mais muito o que fazer que não seja mitigar”, disse. E a mitigação, segundo ele, começa pela base: educação ambiental, reflorestamento, separação de resíduos e cuidado com os rios.
O especialista citou ainda a dificuldade de São Luís com recursos hídricos e o abastecimento público. Sobre outros municípios, lembrou o caso de Pinheiro, que no ano passado teve ruas alagadas, perda de produção agrícola e morte de peixes da aquicultura local.
A crítica do professor foi direcionada à insuficiência das ações atuais. “Alguns municípios têm feito atividades pontuais, mas não é o suficiente. O que a gente vem com esse seminário é dizer que não é o suficiente”, afirmou. Ele defendeu que qualquer plano precisa ser baseado na escuta das comunidades — agricultores familiares, pescadores, quilombolas, indígenas e até pessoas em situação de rua.
“Muitas vezes um técnico faz um plano sem saber a sensibilidade que a comunidade está passando”, alertou.
O convite para a população segue aberto para a manhã de terça, a partir das 8h30, no centro histórico. A expectativa é que o seminário produza diretrizes para um plano estadual de mitigação às mudanças climáticas. “O objetivo maior é dizer: você que sofre na prática, que se apresente, contribua conosco”, concluiu o professor.
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