Mesmo representando a maioria entre as trabalhadoras formais do estado, mulheres negras têm remuneração média de R$ 2.555,93 nas grandes empresas maranhenses, enquanto homens não negros recebem R$ 4.705,32 pelo mesmo tipo de vínculo empregatício. A disparidade de R$ 2.149,39 entre esses dois grupos é o retrato mais agudo de uma desigualdade que combina gênero e raça no mercado de trabalho formal do Maranhão.
Os dados são do 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com o Ministério das Mulheres. O levantamento considerou empresas com 100 ou mais funcionários, universo que, no estado, engloba 675 estabelecimentos e 242,9 mil postos formais de trabalho.

Das 95,2 mil vagas ocupadas por mulheres nesse segmento, 77,3 mil pertencem a mulheres negras e 17,8 mil a mulheres não negras. Apesar de numericamente majoritárias, as trabalhadoras negras estão na base da pirâmide salarial. Sua remuneração média é inferior à das mulheres não negras, que recebem R$ 3.756,69, e também abaixo da média masculina geral, de R$ 3.314,80.
A desigualdade também é marcante entre os homens. Homens negros recebem, em média, R$ 3.084,42, valor significativamente menor do que os R$ 4.705,32 registrados entre homens não negros, revelando que a variável racial aprofunda as assimetrias independentemente do gênero.
No conjunto, as mulheres respondem por 39,1% dos empregos formais nas grandes empresas do Maranhão. O relatório aponta ainda que apenas 24,5% dessas empresas adotam políticas de incentivo à contratação feminina, ao mesmo tempo em que registra um crescimento da presença de mulheres em cargos de liderança e direção no estado, sem detalhar os percentuais específicos desse avanço.
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