Pelo menos nove partidos políticos brasileiros conseguiram manter suas atividades regulares ao longo de 2025 sem depender expressivamente do Fundo Partidário, de acordo com as prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral. Enquanto a maioria das 29 legendas que apresentaram os demonstrativos financeiros recorreu à principal fonte pública de custeio partidário, essas siglas viveram de doações de pessoas físicas, contribuições de filiados, transferências internas e receitas diversas, em alguns casos até com superávit nas contas.
O levantamento dos balancetes mostra que, do universo de 29 partidos com dados disponíveis, 20 registraram o Fundo Partidário como origem primária das receitas. No grupo restante, a Democracia Cristã (DC), o PSTU, o Agir, o Missão, a Unidade Popular (UP), o Mobiliza, o Democrata, o PCB e o PRTB obtiveram praticamente toda a arrecadação por outras vias, somando cerca de R$ 6,5 milhões em receitas próprias.
A líder em arrecadação entre os nove foi a Democracia Cristã, com R$ 2,8 milhões. Desse montante, apenas R$ 197,97 vieram do Fundo Partidário. O grosso do dinheiro entrou por doações de pessoas físicas, com destaque para Karen Cristina Alves dos Santos (R$ 160 mil) e Marcelo Correia de Vasconcelos (R$ 150 mil). As despesas da sigla ficaram em R$ 2,74 milhões, com gastos concentrados em pessoal, aluguéis e transferências financeiras.
O PSTU, por sua vez, arrecadou R$ 1,41 milhão, sendo 75% oriundos das contribuições pagas pelos próprios filiados, o equivalente a R$ 1,06 milhão. As despesas totalizaram R$ 1,40 milhão, quase empatando com a receita, e tiveram como principais itens aluguéis, condomínios e serviços técnicos especializados.
O Agir registrou receita de R$ 873,7 mil, puxada por doações de pessoas físicas e transferências de direções estaduais. Carlos Kleber de Sousa Chaves foi o principal doador, com R$ 70 mil. Os gastos ficaram em R$ 863,2 mil, com adiantamentos e folha de pagamento entre os maiores dispêndios.
A Unidade Popular arrecadou R$ 772,4 mil, divididos entre contribuições de filiados (R$ 246,2 mil) e doações de físicas (R$ 236,1 mil). Com despesas de R$ 510,4 mil, a legenda encerrou o período com folga nas contas, distribuindo os gastos de forma equilibrada entre aluguéis e transferências.
O partido Missão somou R$ 787,2 mil em receitas, quase integralmente de doações privadas. Eugênio Ermírio de Moraes respondeu por R$ 104 mil. Os gastos incluíram materiais gráficos, roupas personalizadas e a produção do programa partidário, chamado de “Livro Amarelo”, que também é comercializado pela sigla. O tesoureiro nacional Renato Battista afirmou, em nota técnica, que a legenda se mantém com doações, contribuições de filiados e venda de materiais institucionais.
O Mobiliza, porém, fechou o ano no vermelho. Com arrecadação de R$ 521,3 mil, teve despesas de R$ 702,8 mil, um rombo de R$ 181,5 mil. Os gastos mais pesados vieram de transferências financeiras e serviços especializados.
O Democrata declarou receita de R$ 190,6 mil e despesas de R$ 162,3 mil, com ênfase em serviços técnico-profissionais e despesas judiciais. O PCB arrecadou R$ 164,3 mil, sendo quase 90% das despesas (R$ 138,6 mil) destinadas a serviços técnicos e imóveis. O PRTB teve a menor movimentação: R$ 46,9 mil em receitas, ante R$ 58,9 mil em gastos, também no vermelho.
A diferença para as maiores legendas continua abissal. O PL, maior partido do país em receita, declarou R$ 318,3 milhões em 2025, sendo 98,1% (R$ 312,2 milhões) provenientes do Fundo Partidário. O PT, segundo colocado, arrecadou R$ 240,1 milhões, com 80,4% de origem pública. O acesso ao Fundo está condicionado à cláusula de desempenho da Emenda Constitucional de 2017, que exige 3% dos votos válidos para deputado federal em todo o território nacional ou a eleição de ao menos 15 deputados federais.
Os números indicam que, embora o financiamento público seja a regra entre as siglas brasileiras, um grupo restrito de legendas opera com modelo próprio de custeio, baseado em contribuições diretas de filiados e doadores. O desempenho desses partidos mostra que é possível manter estrutura partidária sem recorrer ao Fundo, ainda que em escala muito inferior à das grandes agremiações. Os balancetes seguem à disposição do Tribunal Superior Eleitoral para consulta pública.
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