As fraudes bancárias no ambiente digital se multiplicaram nos últimos anos e passaram a mirar com mais frequência a população acima de 50 anos. De acordo com o advogado criminalista Rondinelli Rocha, um estudo da Academia de Sábio Segurança apontou que os golpes contra esse público aumentaram 60% no Brasil. Entre as modalidades mais comuns estão o phishing, o falso boleto bancário, os golpes por aplicativos e a contratação fraudulenta de empréstimos em nome de idosos.
O especialista explica que existem atualmente mais de 30 tipos de golpes bancários em circulação, aplicados por quadrilhas especializadas que burlam sistemas de informação e tecnologia diariamente. As penas para esses crimes variam conforme a conduta. O estelionato digital, que envolve a emissão e o envio de boletos falsos por aplicativos, pode levar a uma pena média de até oito anos de prisão. Já o crime de invasão de dispositivo eletrônico, previsto no artigo 154-A do Código Penal, tem pena média de até seis anos de reclusão. Segundo Rondinelli, as penas são somadas conforme os crimes cometidos, e o regime inicial pode ser fechado.
Apesar da dificuldade histórica na identificação dos criminosos, o advogado afirma que as big techs e os mecanismos de busca facilitaram a detecção de conglomerados de phishing. Como resposta, as quadrilhas migraram para alvos considerados mais vulneráveis, como os idosos que utilizam aparelhos eletrônicos sem dominar ferramentas de segurança. Um método recorrente é o envio de imagens ou links pelo WhatsApp que, ao serem abertos, permitem a varredura do aparelho e o espelhamento de informações.
Em caso de golpe via Pix, o Banco Central estabeleceu em fevereiro de 2026 novas regras para a rastreabilidade das transferências. O especialista orienta que a vítima tente o estorno diretamente pelo aplicativo do banco, mesmo que o dinheiro tenha sido enviado para múltiplas contas. Caso não consiga, deve registrar boletim de ocorrência e acionar a instituição financeira. O banco tem até sete dias para efetuar a devolução. Se houver descumprimento, o Banco Central pode determinar o bloqueio da conta destinatária.
Outro crime recorrente envolve anúncios de veículos em plataformas como OLX. Golpistas usam fotos dos carros e solicitam documentos sob falsos pretextos para obter financiamentos em nome do verdadeiro dono. Meses depois, a vítima descobre que o veículo foi alvo de busca e apreensão. A recomendação do advogado é não enviar informações pessoais por aplicativos ou links, evitar negócios por meio de terceiros e sempre realizar transações pessoalmente.
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