Uma iniciativa no coração de São Luís está colocando o público em contato direto com um dos personagens mais tradicionais do carnaval maranhense: o fofão. A oficina “A Cara do Meu Fofão”, realizada na Casa Negro Cosme, na Rua do Giz, ensina participantes a confeccionar as máscaras características desse folião, movimentando o centro histórico da capital.
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As atividades, que seguem até o dia 3 de fevereiro, de segunda a sexta-feira no turno da manhã, são conduzidas pelo artista visual Rogério Berredo. Com cerca de trinta anos de experiência na técnica do papel machê, ele guia os inscritos em todo o processo. A máscara é produzida a partir de uma base de argila, que recebe a aplicação de oito camadas de papel. A etapa final é a pintura, momento em que a criatividade de cada artesão ganha destaque.
Segundo Berredo, a oficina é uma oportunidade para artistas e qualquer pessoa da comunidade participarem, tendo a experiência de criar sua própria máscara e fantasia carnavalesca. A ação é vista como uma forma de valorizar as artes plásticas maranhenses em um período propício, o carnaval, quando fantasias e personagens da cultura popular estão em evidência.
Para o participante Marcos Vinícius, nascido no bairro da Madre Deus e acostumado ao carnaval de rua, a oficina é um resgate de memórias afetivas. Ele defende que, em um mundo de constantes mudanças tecnológicas, o fofão não pode desaparecer e sua máscara precisa ser construída manualmente para que a tradição do carnaval seja mantida. Seu propósito, afirmou, é ajudar a manter viva a história do carnaval e do fofão.
Após o término das oficinas, as máscaras produzidas pelos participantes integrarão uma exposição no Cafua das Mercedes, dando visibilidade ao trabalho realizado e à importância cultural do personagem.
A figura do fofão, no entanto, desperta sentimentos contraditórios. Enquanto muitos celebram sua presença como ícone da folia, outros carregam um medo arraigado desde a infância. O temor é frequentemente associado a histórias familiares que usavam a figura do fofão para alertar crianças sobre o perigo de falar com estranhos durante a aglomeração do carnaval, um receio que persiste na memória afetiva de parte da população.
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