Sob um sol escaldante e noites invadidas por muriçocas, o repórter Romário Alves personifica a tensão e a exaustão que marcam o quinto dia de buscas às três crianças desaparecidas em Bacabal. Com mais de quinze anos de experiência na área policial, ele relata uma rotina de apenas três ou quatro horas de sono, em um plantão que se arrasta desde o início do caso.
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“Nós saímos daqui uma hora da manhã e já às seis e trinta a gente já estava no batente, em deslocamento para o local”, descreve Alves, cuja equipe tem acompanhado a força-tarefa minuto a minuto. Foi ele quem registrou em primeira mão o momento crucial da descoberta de Cauã, de 8 anos. “O carroceiro, que é um dos nossos seguidores, gritava ‘Ave Maria, uma criança tá aqui na carroça!’. A gente tomou aquele estado de choque”, relembra o repórter, que estava nas proximidades captando imagens aéreas com um drone.
Apesar do alívio parcial com o resgate do menino, a perplexidade só aumentou na cobertura diária. Alves destaca a contradição visível no estado da criança: “Os pés dele estavam muito debilitados, mas a gente observa… eu estou aqui há cinco dias, os meus pés estão brancos, brancos. Agora imagina os pés de uma criança dentro de uma área de mato de espinho”. Ele questiona a narrativa de que as crianças estiveram perdidas na mata todo esse tempo, dada a falta de marcas mais severas no corpo de Cauã.
O repórter, que percorre a longa distância de quase 45 minutos de carro até o local do encontro, não consegue conceber como as crianças pequenas teriam percorrido aquela vegetação densa a pé, sob um calor intenso. “A gente cansa, e criança…”, pondera, enquanto acompanha as buscas que agora se estendem para roçados em outras cidades.
Da sua posição privilegiada, e cansada, na frente de trabalho, Alves observa os rumores e as lacunas. Comenta a falta de um Instituto Criminalístico na cidade para realizar exames periciais imediatos no menino e ouve, nos bastidores, o desconcerto das próprias equipes especializadas. “Tá muito estranho, muito estranho mesmo”, é a sensação que repassa, ecoando o sentimento da comunidade.
Sua reportagem se tornou um fio condutor de informações cruciais, desde a descoberta até a negação de pistas falsas, como a da “mulher gorda”. Enquanto aguarda a próxima atualização, sua rotina de sono curto e vigilância constante reflete a urgência de um caso que, para ele e para todos em Bacabal, ainda está longe de ter um desfecho.
