A saúde feminina no Brasil tem alcançado números expressivos na busca por diagnósticos por imagem, mas especialistas alertam que o cuidado ainda precisa ser ampliado para uma abordagem multidisciplinar. Dados da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI) mostram que, dos 4,8 milhões de exames realizados pela instituição em 2025, a maioria esmagadora (60,3%) foi em pacientes mulheres. O volume absoluto da presença feminina nesse tipo de procedimento cresceu 8,2% em um ano, o que representa mais de 184 mil novas pacientes.

O levantamento, que abrange o período de 2019 a 2026, revela ainda uma mudança de perfil: ao contrário do que se poderia supor, a faixa etária adulta é a maioria absoluta entre as mulheres que realizam exames de imagem, somando 7,8 milhões de pacientes, contra 4,9 milhões na terceira idade. Os dados indicam que as principais usuárias são mulheres em idade produtiva e em transição para a terceira idade, motivadas por diagnóstico preventivo, acompanhamento de saúde ocupacional ou gestacional.
Entre os exames mais frequentes, a mamografia se destaca não apenas pelo papel consagrado na detecção precoce do câncer de mama, mas também por um novo campo de atenção: a identificação de sinais de risco para doenças cardiovasculares. Um estudo recente divulgado pela European Society of Cardiology, que analisou 123.762 mulheres sem doença cardiovascular conhecida, reforçou que depósitos de cálcio nas artérias da mama, observados nas imagens mamográficas, estão associados a um maior risco de infarto, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC) e morte.
“Além de seu papel no diagnóstico precoce do câncer de mama, pesquisas apontam que a mamografia também pode revelar calcificações arteriais mamárias, achado associado em estudos a maior risco cardiovascular e que pode contribuir para o encaminhamento precoce dessas mulheres para investigação clínica complementar”, afirma a médica radiologista e especialista em mamas da FIDI, Dra. Vivian Milani.
A preocupação se estende às mulheres jovens, grupo que, em determinadas faixas etárias, apresenta maior vulnerabilidade no organismo. Especialistas defendem que a prevenção deve começar cedo, com informação, acompanhamento médico e adoção de hábitos de vida saudáveis.
Outro exame de grande volume entre as mulheres é o raio-X de tórax, que ultrapassa a marca de 2 milhões de procedimentos realizados. Considerado o exame de “porta de entrada” para diagnósticos respiratórios e avaliações pré-operatórias, ele também pode mostrar sinais indiretos de comprometimento cardiovascular, especialmente em quadros já sintomáticos, como cardiomegalia (aumento do coração), congestão vascular pulmonar e edema pulmonar.
A incidência de doenças cardiovasculares identificada por meio da mamografia ainda é um tema em debate na comunidade médica. No entanto, há consenso sobre a necessidade de vigilância constante da saúde cardiovascular feminina. Infarto, AVC e outras doenças do coração permanecem subdiagnosticados em mulheres, frequentemente porque os sinais podem ser silenciosos ou se manifestar de forma diferente em comparação aos homens.
“Quando falamos em saúde da mulher, é essencial olhar para ela de forma integral. Muitas doenças cardiovasculares evoluem silenciosamente, e a identificação precoce pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida da paciente”, ressalta Dra. Vivian Milani.
O alerta ganha peso diante de um cenário em que tanto o câncer de mama quanto as doenças cardiovasculares figuram entre os principais desafios da saúde feminina. Enquanto o câncer de mama tem apenas uma pequena parcela dos casos ligada a fatores genéticos, a maioria está associada a questões comportamentais e ambientais, como consumo de álcool, obesidade, sedentarismo e uso prolongado de terapia hormonal sem acompanhamento médico.
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