Um projeto que nasceu de uma inquietação acadêmica se transformou em um documentário que joga luz sobre a produção feminina no cinema maranhense. Intitulado “Onde a Imagem Nasce”, o curta-metragem de 23 minutos é a primeira fase de uma pesquisa que busca combater o silenciamento e o apagamento históricos das mulheres no setor audiovisual do estado.
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Idealizado e dirigido pela cineasta e artista visual Gabbie Ribeiro, o documentário foi gravado na Escola de Cinema do Maranhão e contou com apoio institucional da instituição. A obra funciona como um “respiro”, nas palavras da diretora, e tem como principal mensagem mostrar o cinema como uma ferramenta de transformação e valorização da cultura local.
“A gente precisa visibilizar essas mulheres justamente para que a população conheça quem são as mulheres que estão por trás das câmeras, que estão nos bastidores, que estão produzindo”, afirma Gabbie Ribeiro. O projeto surgiu de uma pressão interna por um tema de pesquisa na universidade, unindo inquietações pessoais com a percepção de uma lacuna no setor.
O curta, que em breve será expandido para um longa-metragem, apresenta um recorte inicial com quatro realizadoras. Além da própria Gabbie, que discute sua trajetória, o filme traz entrevistas com Mônica Rodrigues, atual gestora da Escola de Cinema; Naira Albuquerque, cineasta premiada com o filme “Ginga Reggae”; e Louise Souza, que atua no ativismo social com o coletivo independente Explana.
O título do documentário carrega um trocadilho proposital, associando o ato de criar um filme ao nascimento de um filho, com todo o cuidado e zelo que a analogia maternal implica. A narrativa busca explorar justamente esse lugar de criação, desde a ideia e a memória até o roteiro e a montagem.
A circulação do projeto está voltada para o ambiente educacional. A intenção, segundo a cineasta, é que o documentário rode em escolas, conscientizando crianças e jovens sobre a importância do fazer cinema e mostrando as possibilidades profissionais por trás das câmeras. “Ter a câmera na mão é uma ferramenta muito importante”, destaca Gabbie, enfatizando o poder de criar narrativas a partir da própria perspectiva.
Após a fase de exibições presenciais, o documentário será disponibilizado online como um webdoc. As informações sobre o lançamento digital e a agenda de circulação nas escolas serão divulgadas no perfil @Gabbie.ribeiro da diretora nas redes sociais.
O projeto se insere em um debate mais amplo sobre a necessidade de valorização da produção cultural maranhense. Para a diretora, mesmo diante das dificuldades de acesso a leis de incentivo, é fundamental que haja um cultivo interno da cultura local. “A gente precisa valorizar o que é nosso e acredito que o trabalho contribui um pouco para que essa valorização aconteça”, conclui Gabi Ribeiro.
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