A dois dias do início do Campeonato Maranhense, marcado para esta sexta-feira (10), o clima no futebol do estado é de apreensão. A intervenção judicial na Federação Maranhense de Futebol (FMF), a nomeação de uma interventora considerada irregular e as ameaças de sanções da FIFA às entidades brasileiras dominam os bastidores e acendem um alerta sobre a legitimidade da competição e os prejuízos financeiros para os clubes.
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A crise foi tema do programa “Papo Aberto”, onde o deputado estadual e ex-presidente do Moto Club, Yglésio Moysés, analisou a situação. Ele afirmou que a intervenção, que deveria ter terminado em novembro, foi prolongada por dinâmicas políticas e deve se estender até março. “Vamos ter um campeonato maranhense que foi construído em cima de uma situação jurídica que pode levar… ao não reconhecimento da competição”, declarou.
Moysés criticou a escolha da interventora, Susan Pereira, feita pelo juiz Douglas de Melo Martins. Segundo ele, a nomeação foi “completamente discricionária”, baseada em critérios como “ter jogado futebol no Gêmeos” e a intenção de “colocar uma mulher”, e não em qualificação técnica para gerir uma crise federativa. O deputado defende que o caso seja levado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O risco de o campeonato ser interrompido ou anulado posteriormente gera insegurança jurídica e financeira. Yglésio Moysés citou que uma simples viagem do Moto Club para um jogo em Imperatriz custa entre R$ 20 e R$ 30 mil. “Os times têm custos expressivos e não tem segurança jurídica até pra um patrocinador saber se ele tá investindo… num campeonato que é legítimo ou não”, argumentou.
A sombra da FIFA paira sobre o processo. A entidade máxima do futebol emitiu um comunicado reforçando que suas regras exigem que as federações sejam independentes, livres de influência política e judicial. A ameaça inclui a possível exclusão de clubes brasileiros de competições internacionais, como a Libertadores e a Copa do Mundo de Clubes. Para Moysés, a intervenção “claramente depõe” contra essa regra, ao trazer uma interferência do Estado na gestão de uma entidade privada.
O cenário descrito é de desorganização geral. Há clubes, como o Luminense, sem estádio definido para mandar seus jogos. O Moto Club, por exemplo, teve um pedido para utilizar o Estádio Dário Santos, em São José de Ribamar, negado após vistoria da própria interventoria. O ex-presidente do clube também revelou que o atual presidente pediu licença médica, deixando o time “à deriva”, reflexo, segundo ele, da crise no futebol estadual.
Questionado se assumiria a presidência da FMF, Yglésio Moysés confirmou que colocou seu nome à disposição para um “período de transição”. Ele defendeu um modelo de gestão com credibilidade, capaz de atrair patrocínios e, por um período limitado, investimento público para recuperar as bases do esporte. O objetivo, disse, é fazer uma transição para “uma coisa melhor” e “moralizar” a federação, sem intenção de se perpetuar no cargo.
O Campeonato Maranhense 2023 inicia, portanto, sob o signo da instabilidade. Com clubes fragilizados financeiramente, uma federação sob intervenção contestada e o risco concreto de punições internacionais, a temporada estadual é encarada por seus protagonistas com mais temor do que esperança.
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