Os primeiros minutos após um acidente de trânsito são decisivos para salvar vidas e reduzir sequelas. No Brasil, a gravidade do problema segue alarmante. Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontam que, somente em 2025, ocorreram 72.476 acidentes em rodovias federais, resultando em 6.040 mortes. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), a maioria dos casos está associada a falhas humanas, como excesso de velocidade, distração e imprudência.
O impacto não se limita ao aspecto humano. Levantamento da Abramet de 2024 revela que, nos últimos dez anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) contabilizou 1,8 milhão de internações decorrentes de acidentes de trânsito, com despesas hospitalares da ordem de R$ 3,8 bilhões.
Diante desse quadro, o movimento Maio Amarelo ganha relevância. A 13ª edição da campanha no Brasil, lançada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), adotou o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”. A iniciativa busca também orientar a população sobre como agir em situações de emergência.
Referência em atendimento de trauma em Curitiba, o Hospital Universitário Cajuru, que atende 100% pelo SUS, conta com a médica emergencista Danieli Dadan. Ela explica que a primeira medida após um acidente é garantir a segurança do local. A sinalização da via e a proteção da cena são consideradas fundamentais para evitar novos acidentes, princípio básico do atendimento pré-hospitalar.
Com o ambiente seguro, o passo seguinte é verificar o estado das vítimas. Perguntar o nome, se a pessoa se lembra do ocorrido e observar a respiração ajuda a identificar o nível de consciência. Alterações na voz, dificuldade para respirar ou ausência de resposta são sinais de alerta. A médica enfatiza que, em casos de trauma, os dois principais riscos imediatos são problemas respiratórios e hemorragias.
Diante de sangramento intenso, a orientação é fazer compressão direta no local com as mãos ou com um tecido limpo para conter a perda de sangue. Caso a vítima apresente ânsia de vômito, deve ser posicionada de lado. Danieli adverte ainda para a necessidade de estabilizar o pescoço, evitando lesões na coluna cervical.
O acionamento rápido do socorro é primordial, especialmente se a vítima estiver inconsciente ou não responder a estímulos. A recomendação é informar a localização exata, o perfil da vítima e, após proteger a cena, manter o local seguro.
Em acidentes com feridos, os contatos são: 193 para atendimento médico imediato e acionamento do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) ou 192 para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A legislação exige a presença da autoridade policial e o registro de boletim de ocorrência quando há vítimas. Nesse caso, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.
Mesmo em acidentes considerados leves, a avaliação médica é indicada. Segundo Danieli, é importante observar o surgimento de sintomas nas primeiras seis a 12 horas após o ocorrido. O paciente pode começar a sentir dor em alguma região ou apresentar um corte com sangramento. Tontura, dor de cabeça, dificuldade para movimentar os membros, dor no pescoço ou nas costas e confusão mental são sinais de que o atendimento não deve ser adiado. A avaliação é essencial para definir o tratamento adequado e promover uma boa recuperação.
O Hospital Universitário Cajuru, onde atua a médica, é uma instituição filantrópica com atendimento 100% SUS e certificação de qualidade da Organização Nacional de Acreditação (ONA) nível 3. Vinculado às escolas de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a instituição é referência em procedimentos cirúrgicos, transplante renal, urgência, emergência, trauma e atendimento de retaguarda a prontos-atendimentos e UPAs de Curitiba e região metropolitana.
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