O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que soma 37%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15). A diferença de oito pontos percentuais entre os dois representa a maior vantagem do petista desde o início da série histórica para este confronto.

No levantamento anterior, realizado em junho, Lula registrava 44%, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 38%. Em maio, os dois apareciam em empate técnico, com 42% para o presidente e 41% para o senador. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa simulou quatro cenários de segundo turno. Em todos eles, Lula venceria a disputa. A menor vantagem é justamente no confronto com Flávio Bolsonaro. Contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o presidente tem 45% a 36%. Diante do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), Lula marca 45% contra 35%. A maior diferença é registrada contra Renan Santos (Missão), com 45% a 33%.



Na simulação de primeiro turno, Lula lidera com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 28%. Ronaldo Caiado aparece com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) registram 1% cada. Os votos em branco, nulos ou a intenção de não votar somam 11%, enquanto 8% dos entrevistados se declararam indecisos.

Aprovação do governo

O levantamento também mediu a percepção sobre o governo federal. Segundo a Quaest, 48% dos entrevistados aprovam a gestão de Lula, enquanto 47% a desaprovam. É a primeira vez desde dezembro de 2024 que a aprovação supera numericamente a desaprovação. Em relação à avaliação do governo, 36% consideram a administração positiva, outros 36% a classificam como negativa e 26% a avaliam como regular.
Voto espontâneo e cenário político

Na intenção de voto espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, 54% afirmaram ainda não saber em quem votar. O presidente Lula foi citado por 26% dos eleitores, alta de três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Já o senador Flávio Bolsonaro aparece com 14%, queda de três pontos. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi lembrado por 1% dos entrevistados.
Este é o primeiro levantamento da Quaest realizado após dois episódios recentes da política nacional: a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT), no âmbito do caso Master, e a divulgação de um vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) relata desavenças com o senador Flávio Bolsonaro.
Impacto do vídeo de Michelle Bolsonaro

A pesquisa investigou os impactos dos vídeos divulgados pela ex-primeira-dama. Entre os eleitores de direita, 35% consideram que Michelle agiu corretamente ao divulgar o conteúdo. Entre os bolsonaristas, esse percentual é de 20%.
A maioria dos eleitores de direita atribui uma motivação legítima à atitude da ex-primeira-dama. Entre esse grupo, 35% avaliam que Michelle divulgou os vídeos para se opor a alianças políticas das quais discorda, enquanto 17% acreditam que ela reagiu a episódios de desrespeito por parte de Flávio Bolsonaro. Entre os bolsonaristas, esses percentuais são de 31% e 15%, respectivamente.
O levantamento aponta ainda um possível impacto eleitoral da crise envolvendo Michelle Bolsonaro. Entre os eleitores de direita, 53% afirmam que a participação direta da ex-primeira-dama na campanha de Flávio aumentaria as chances de vitória do senador. Entre os bolsonaristas, esse índice é de 45%.
A intenção de voto em Flávio Bolsonaro entre os eleitores de direita que não se identificam como bolsonaristas caiu de 82% para 74%, indicando perda de apoio nesse segmento.
Caso Jaques Wagner e Desenrola 2.0
A pesquisa também mediu os efeitos da investigação envolvendo o senador Jaques Wagner. Para 37% dos entrevistados, o episódio tem um impacto muito negativo sobre a campanha de Lula. Outros 25% avaliam que o efeito é pequeno.
Em relação ao programa Desenrola 2.0, 35% dos entrevistados afirmaram que a iniciativa aumentou significativamente a renda das famílias.
Encomendada pela Genial Investimentos, a pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026.
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