Governadores e vice-governadores de vários estados participaram de café da manhã ontem (8), em Brasília, com o presidente da república, Jair Bolsonaro (PSL), e com os presidentes da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-RO), além do ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni. Presente no evento, o governador Flávio Dino (PCdoB) disse que não houve esse consenso entre os políticos sobre a reforma da Previdência, contrariando Alcolumbre, que chegou a afirmar que os governadores apoiarão a proposta caso seja firmado um novo pacto federativo para resolver questões orçamentárias. Segundo Dino, os governantes não admitem condicionar um tema a outro.
A reunião aconteceu na residência oficial do presidente do Senado, e Bolsonaro chegou a dizer aos governantes que estão “todos no mesmo barco” e pediu ajuda para a votação da reforma. Mas o presidente, ao seu estilo, ficou pouco tempo e saiu sem conversar com a imprensa.
Alcolumbre, ao receber os jornalistas no final, deu a entender que as propostas apresentadas durante deliberação do chamado Fórum de Governadores podem ser vistas como uma espécie de condicionante para apoio à reforma.
Parlamentares e assessores que participaram do café da manhã, entretanto, disseram que a abordagem feita pela maior parte dos integrantes do grupo demonstrou opiniões divididas. E que, quando apresentadas as reivindicações, foram destacadas a importância de um pacto federativo, mas diante da necessidade de serem feitas mudanças legislativas para consolidar este pacto. E não por um apoio à reforma.
O governador Flávio Dino, na saída do café da manhã, disse que “não adianta o governo propor ajuda para os estados como moeda de troca para apoio à proposta de reforma”.
“Qualquer medida legislativa a ser aprovada para ajudar as contas dos estados será tratada como uma forma de ajudar o cenário do país como um todo, dentro da crise política e econômica que aí está”, destacou.
Ainda segundo o governador do Maranhão, “não haverá condicional para as propostas”. “Não aceitamos uma abordagem de chantagem, que se transforme num toma lá dá cá. A reforma é um tema de longo prazo que não pode nem deve ser vinculado a qualquer outro”, disse.
Sem unanimidade
Dino contou que o que há entre os governadores é o reconhecimento sobre a importância de uma reforma da Previdência, mas o conteúdo que se espera “está muito longe do que prega a atual proposta”. De acordo com o maranhense, não existe unanimidade entre os governadores sobre a matéria.
“Hoje vejo como rigorosamente impossível haver um amplo entendimento sobre a reforma da Previdência entre os governadores. O texto que está aí precisa passar por muitas alterações para que possa ser aventada esta possibilidade”, disse.
Alcolumbre, por sua vez, considerou a reunião “positiva” e afirmou que a presença de Bolsonaro foi importante por ter demonstrado intenção em trabalhar ao lado da base do governo no Congresso pela aprovação da reforma. O café da manhã contou com a presença de vários deputados e senadores.
Os governadores assinaram uma carta que foi entregue ao presidente da república. Entre os itens citados estão a implantação imediata de um plano sustentável que restabeleça o equilíbrio fiscal dos Estados e do Distrito Federal.
Lei Kandir e Educação
Os governadores também solicitam compensação pelas perdas na arrecadação tributária decorrentes da desoneração de exportações – matéria regulamentada na chamada Lei Kandir (Lei Complementar 87/1996) – e a instituição de um fundo de manutenção e desenvolvimento da Educação básica e de valorização dos profissionais do setor.
Reivindicam, ainda, a regularização adequada da securitização de créditos dos estados e do DF para fortalecimento das finanças destes entes federativos, e a garantia de repasses federais dos recursos provenientes de cessão onerosa/bônus de assinatura do petróleo aos governos estaduais, governo do DF e prefeituras.
Por último, pedem o avanço urgente da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 51/2019, que aumenta para 26% a parcela do produto da arrecadação dos impostos sobre a renda e proventos de qualquer natureza e sobre produtos industrializados destinada ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE).
Praticamente todos os governadores participaram do encontro, com exceção dos representantes do Paraná, Mato Grosso e Amazonas, que não foram e não enviaram ninguém. Já os governadores de Paraíba, Pernambuco, São Paulo e Bahia não participaram do café da manhã, mas foram representados por seus vices.
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