A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) divulgou, nesta semana, os números de assaltos a ônibus na região da Grande Ilha de São Luís. De acordo com o levantamento, foram registradas 363 ocorrências entre janeiro e junho deste ano. O número representa uma queda de 26,2% em comparação com o mesmo período de 2025, quando 492 casos foram contabilizados.
Apesar da redução nos indicadores oficiais, a realidade enfrentada por quem depende do transporte coletivo na região metropolitana segue marcada pela insegurança. Motoristas com décadas de profissão e passageiros que utilizam os coletivos diariamente relatam um cenário de apreensão constante.
Há 26 anos na função, o motorista Carlos Mendonça afirma que o temor faz parte da rotina de trabalho. Para ele, a falta de segurança é um fator que afeta diretamente a saúde mental dos profissionais que circulam pelas vias da ilha. Já Carlos Alfredo da Silva, que atua há 18 anos como motorista, contabiliza seis assaltos sofridos ao longo da carreira. Ele descreve as abordagens como repentinas e concentradas, principalmente, nos momentos de parada para embarque de passageiros.
Nos últimos 15 dias, uma série de ocorrências voltou a circular nas redes sociais e acendeu o alerta da população. Em um dos episódios, um ônibus da linha Socorrão II/Rodoviária bateu contra um poste após o motorista perder o controle da direção durante um assalto. Imagens registradas por passageiros mostram três suspeitos fugindo pela janela do veículo. O caso, amplamente compartilhado, reavivou a sensação de vulnerabilidade entre os usuários do sistema.
Celulares, dinheiro e pertences pessoais seguem como os principais alvos dos criminosos. A cabeleireira Gisleia Silva diz que entra nos coletivos já com medo de ser vítima. A estudante Marina Coqueiro relembra uma tentativa de assalto ocorrida quando voltava da escola e admite que não se sente segura dentro dos ônibus.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que os números oficiais podem não refletir a totalidade dos crimes. O criminólogo Maurício Fraga explica que a subnotificação é um obstáculo para o planejamento de políticas públicas eficazes. Segundo ele, a falta de registros compromete a elaboração de estratégias de prevenção e repressão, uma vez que os dados disponíveis não reproduzem com fidelidade a dimensão do problema.
Em nota, a SSP-MA informou que o primeiro semestre de 2026 registra o menor número de assaltos a ônibus desde o início da série histórica, em 2021. A pasta atribuiu a queda a ações permanentes realizadas pelas forças de segurança no estado. A secretaria, no entanto, não detalhou quais operações ou medidas específicas teriam contribuído para a redução dos índices.
Apesar dos números positivos sob a ótica estatística, trabalhadores do setor e passageiros afirmam que o cotidiano no transporte coletivo da Grande Ilha ainda é marcado pelo receio. O confronto entre a queda nos registros oficiais e a percepção de insegurança da população coloca em evidência os desafios para a consolidação de uma sensação efetiva de proteção no serviço público.
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