A Delegacia Especial da Mulher de São José de Ribamar investiga uma série de graves acusações feitas por Ingrid Graziella Galeno Campos contra o marido, o ex-vereador de São Luís e atual deputado federal em exercício, Aires do Espírito Santo Ribeiro Neto, conhecido como Ribeiro Neto. O registro da ocorrência foi feito na madrugada de domingo (17).

Ingrid Graziella acusa o parlamentar pelos crimes de cárcere privado, lesão corporal, ameaça de morte, injúria e estupro. Os supostos episódios teriam ocorrido ao longo dos últimos dias, com início no dia 7 de maio.
De acordo com o depoimento da vítima, naquela data ela chegou à residência do casal, no bairro do Itapiracó, acompanhada da filha de quatro anos. Assim que estacionou o veículo, Ribeiro Neto teria desferido murros nos vidros do carro, puxado a esposa pelo braço, jogado ela no chão e tomado o celular dela.
Em razão da queda, Ingrid buscou atendimento na Policlínica do Cohatrac, acompanhada de uma prima do marido identificada como Alice. Ainda conforme o relato, o ex-vereador ligou para a prima e pediu que ela não entregasse nenhum aparelho celular à esposa, determinando também que Ingrid fosse encontrá-lo após o atendimento médico.
Estupro e cárcere privado
O reencontro ocorreu no Motel Aquarium, na Avenida General Arthur Carvalho, bairro do Turu. A denunciante afirma que, no local, o marido a obrigou a ingerir uma garrafa inteira de vinho, deixando-a incapaz de oferecer resistência. Em seguida, ele teria praticado ato sexual contra a vontade dela. Ingrid relatou que se lembra de poucos detalhes dos atos sexuais e acrescentou que, 15 dias antes, havia recebido alta de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde esteve internada com diagnóstico de aneurisma cerebral.
No dia seguinte, Ribeiro Neto teria levado a esposa de volta à residência do casal, proibindo-a de sair de casa e de ter acesso a celulares, computadores ou qualquer meio de comunicação. A ordem de restrição teria sido estendida aos funcionários da casa.
A família de Ingrid tentou contato com ela por diversas vezes, sem sucesso. O ex-vereador justificou aos parentes que o celular da esposa havia sido danificado, mas que ela estava bem.
No dia 10 de maio, um tio de Ingrid, identificado como Jorge, foi até a residência do casal, conseguiu falar com ela e decidiu levá-la, junto com a filha de quatro anos, para sua própria casa. Na ocasião, Ribeiro Neto não devolveu o iPhone 15 da esposa, tendo entregue outro aparelho com WhatsApp clonado. Também não foram devolvidos um iPad e um MacBook.
Após ser resgatada, Ingrid teria recebido ligações insistentes do marido tentando reconciliação. No dia 12 de maio, ela aceitou retornar para casa, mas no dia seguinte a proibição de sair teria sido mantida.
Ameaças com arma de fogo
No dia 15 de maio, uma sexta-feira, Ribeiro Neto teria chegado em casa portando uma arma de fogo e ameaçado a esposa. Segundo o relato, ele afirmou que faria ela sofrer bastante e disse a seguinte frase: “Você poderá até ficar viva, mas será uma morta-viva”.
Ainda naquela noite, na presença da filha de quatro anos, o parlamentar teria dito que iria se matar e que a culpa seria de Ingrid.
Cansada da situação, ela decidiu voltar para a casa do tio. Ao tentar pegar o iPad, foi novamente agredida pelo marido, que não permitiu que levasse o equipamento nem as roupas da filha. Ingrid deixou a residência sob ameaças.
Na madrugada de domingo (17), Ingrid Graziella procurou a Delegacia da Mulher de São José de Ribamar, onde registrou a ocorrência e pediu medidas protetivas, além de busca e apreensão para recuperar seus pertences. A investigação está sob a responsabilidade da delegada Amanda Falcão de Carvalho Lopes.
Nota do acusado
Em nota pública, Ribeiro Neto afirmou que tomou conhecimento das acusações exclusivamente por meio da imprensa e redes sociais, e que ainda não recebeu qualquer notificação oficial. Ele classificou os acontecimentos como parte de “um momento extremamente delicado e íntimo vivido no âmbito familiar, especialmente em razão do processo de separação atualmente enfrentado pelo casal”.
O parlamentar disse repudiar “de forma veemente qualquer narrativa que tente me associar à prática de atos de violência, ameaça ou ofensas” e afirmou que muitas das informações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos. Ele declarou estar reunindo elementos de prova para que a verdade seja esclarecida.
Ribeiro Neto também afirmou que parte das informações foi divulgada de forma precipitada, unilateral e sem comprovação concreta, causando danos à sua honra, imagem e dignidade. Ele disse respeitar a mãe de sua filha e a integridade emocional de todos os envolvidos, mas informou que todas as medidas cabíveis estão sendo analisadas, inclusive para responsabilização daqueles que tenham extrapolado o direito de informar.
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