O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, deverá receber um novo voo de teste de foguete no segundo semestre de 2026. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6) pela empresa sul-coreana Innospace, que pretende utilizar a base maranhense para colocar em operação a plataforma suborbital Sebit.
A missão faz parte de um acordo firmado entre a empresa e a Alada, estatal brasileira criada em 2025 para fortalecer o setor aeroespacial e ampliar o uso comercial da infraestrutura de lançamentos do país. A negociação é o primeiro contrato da estatal desde sua criação.
Segundo a Innospace, o teste servirá para verificar o comportamento do foguete durante o voo e avaliar a segurança e a eficiência da operação. A empresa também pretende utilizar as informações coletadas para aperfeiçoar a plataforma antes de oferecer o serviço a instituições de pesquisa e empresas interessadas em missões suborbitais. A expectativa da empresa sul-coreana é validar a tecnologia antes de iniciar a comercialização desse tipo de serviço.
Criada em 2025 pela Lei 15.083, a Alada é subsidiária da Nav Brasil e vinculada ao Ministério da Defesa . A empresa é responsável por promover parcerias com operadores do setor espacial e coordenar campanhas de lançamento realizadas em território brasileiro. A proposta de criação da estatal foi enviada ao Congresso em outubro de 2024 e sancionada em janeiro de 2025 . A Alada tem como objetivo explorar economicamente a infraestrutura aeroespacial do país, com destaque para o Centro de Lançamento de Alcântara, cuja localização privilegiada permite lançamentos mais eficientes e competitivos.
Foguete foi desenvolvido para pesquisas e testes
O Sebit é um foguete suborbital projetado para realizar voos de alta altitude sem entrar em órbita da Terra. Esse tipo de missão permite a realização de pesquisas científicas, testes de equipamentos espaciais, demonstrações de novas tecnologias e experimentos em ambiente de microgravidade.
De acordo com a Innospace, a plataforma é equipada com um motor híbrido de três toneladas de empuxo e um sistema de telemetria capaz de transmitir, em tempo real, informações sobre o desempenho do voo e da carga transportada. A plataforma foi desenvolvida para realizar testes de carga útil, verificação de tecnologias e missões de pesquisa, voando próximo ao limite do espaço sem entrar em órbita.
Empresa aposta na expansão dos serviços
Em comunicado, o diretor-executivo da Innospace, Kim Su-jong, afirmou que a parceria com a Alada representa um avanço importante para a expansão das operações da empresa. Segundo ele, o Sebit foi desenvolvido para atender à crescente demanda por testes tecnológicos e pesquisas em áreas como biotecnologia, medicina, novos materiais e sistemas de navegação.
Com a nova plataforma, a empresa amplia o portfólio de veículos espaciais, que já conta com o foguete científico Black Bird e os lançadores de satélites da linha Hanbit.
Atualmente, há cerca de 20 contratos em negociação entre o governo federal e multinacionais para o uso do Centro Espacial de Alcântara . A expectativa é que o Brasil alcance a cadência de um lançamento por mês no curto a médio prazo.
O último lançamento em Alcântara terminou em explosão
O novo voo acontece após um lançamento da própria Innospace terminar em falha no Centro de Lançamento de Alcântara, em 22 de dezembro de 2025.
Na ocasião, o foguete apresentou uma anomalia poucos segundos após a decolagem e se desintegrou ainda durante a subida. Segundo a empresa, um vazamento comprometeu o empuxo do veículo cerca de 33 segundos após o lançamento, provocando a perda de controle da missão. De acordo com o diretor de projetos e negócios da Alada, Paulo Ricardo da Silva Mendes, a causa do acidente foi do projeto do foguete, não da infraestrutura da base.
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