A Aldeia Januária, localizada na Terra Indígena Rio Pindaré, no município de Bom Jardim, será palco no próximo dia 22 de maio de um mutirão de restauração ambiental que articula recuperação ecológica, proteção territorial e valorização dos saberes indígenas. A ação integra uma parceria entre a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF), por meio do Projeto Amazônico de Gestão Sustentável (PAGES), a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), os povos indígenas do território e o Consórcio Estreito Energia (CESTE).
A atividade marca a implantação de uma Unidade Demonstrativa Agroflorestal de um hectare, com o plantio de 500 mudas de espécies nativas, florestais e frutíferas amazônicas. Antes do mutirão, os Guardiões e brigadistas indígenas realizaram a preparação da área para o plantio. O trabalho de campo será conduzido coletivamente pelas Guerreiras da Floresta, junto às equipes do PAGES e da UEMA, em uma construção baseada no diálogo de saberes e no protagonismo indígena.
As mudas foram disponibilizadas pelo Consórcio Estreito Energia, por meio da Usina Hidrelétrica Estreito (CESTE), em parceria com a UEMA. A iniciativa integra um conjunto de ações estruturadas pelo PAGES para fortalecimento da restauração ambiental no Mosaico Gurupi.
Como etapa preparatória, o Projeto PAGES formalizou um protocolo de intenções com a UEMA para alinhamento institucional das ações e construção conjunta de estratégias de atuação nos territórios. Posteriormente, foi elaborado o Plano de Ação de Restauração Ambiental do Mosaico Gurupi, voltado à recuperação ecológica, implantação de viveiros pedagógicos comunitários e fortalecimento da produção de mudas nativas em comunidades indígenas e rurais.
Para a coordenadora geral do PAGES, Mariana Nóbrega, a ação representa uma estratégia integrada entre restauração ambiental, proteção territorial e fortalecimento comunitário. Ela afirmou que a ação demonstra que restaurar o território também significa fortalecer os povos que historicamente protegem a floresta, e que o sistema agroflorestal implantado foi pensado para unir recuperação ambiental, segurança alimentar, geração de renda e valorização dos saberes indígenas.
O arranjo produtivo implantado na Aldeia Januária foi estruturado a partir dos princípios da agroecologia e da restauração produtiva, utilizando um Sistema Agroflorestal (SAF) multiestratificado com espécies nativas amazônicas. O modelo combina espécies de diferentes funções ecológicas, alimentares e culturais em uma mesma área, reproduzindo dinâmicas naturais da floresta tropical. Entre as espécies utilizadas estão açaí, bacaba, buriti, jenipapo, urucum, araçá, ingá, ipês, mutamba e aroeira.
Além da dimensão ecológica, o modelo incorpora espécies de forte valor simbólico e cultural para os povos indígenas, como urucum e jenipapo, utilizados tradicionalmente em pinturas corporais e práticas culturais ancestrais, fortalecendo a identidade territorial e a transmissão intergeracional de conhecimentos.
O brigadista da Terra Indígena Rio Pindaré, Arapoty Lopes da Silva Guarany, destacou que a ação é importante porque irá restaurar áreas degradadas e permitir a restauração do solo, fortalecendo o combate ao desmatamento e à degradação ambiental, além de promover o aumento da biodiversidade e a proteção da floresta e dos animais.
A ação também prevê a prospecção do cercamento da área para garantir proteção e manejo adequado do sistema agroflorestal, contribuindo para a conservação das mudas e para a consolidação da unidade demonstrativa como espaço de aprendizagem, produção e educação ambiental.
O vice-reitor da UEMA, Paulo Catunda, afirmou que a ação é a concretização de todas as conversas, permitindo que as equipes cheguem às comunidades com as mudas, plantando, dando assistência e melhorando as condições do ambiente. Ele ressaltou a perspectiva de que as mudas cresçam, deem frutos, tragam a fauna e permitam o retorno da floresta, pois a floresta recomposta é a melhor qualidade de vida para os povos que dela dependem.
A proposta integra estratégias contemporâneas de restauração biocultural, reconhecendo que conservação ambiental e fortalecimento dos modos de vida tradicionais devem caminhar juntos nos territórios amazônicos.
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