O Maranhão registrou a maior redução na taxa de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas com 15 anos ou mais em todo o Nordeste entre 2016 e 2025. O índice no estado caiu de 16,6% para 11,4% no período, o que representa uma queda de 31,3%. O desempenho maranhense superou os demais estados da região e se destacou como o único avanço de dois dígitos entre os vizinhos nordestinos, mas ainda assim não foi suficiente para colocar o estado entre as dez unidades da federação com melhor desempenho no combate ao analfabetismo entre a população negra.
Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua e recalculados pelo Censo Demográfico de 2022, mostram que o Maranhão reduziu em mais de cinco pontos percentuais a taxa de analfabetismo de pretos e pardos em nove anos. Em 2016, mais de uma em cada seis pessoas negras com 15 anos ou mais não sabia ler ou escrever um bilhete simples. Em 2025, esse contingente caiu para aproximadamente uma em cada nove.
Apesar do avanço regional, o estado permanece com índices elevados em comparação com as médias nacionais. A taxa de 11,4% registrada em 2025 coloca o Maranhão entre os estados com maior incidência de analfabetismo entre negros, atrás apenas de Alagoas (14,2%), Piauí (13,8%) e Paraíba (12,6%) no recorte por cor ou raça. Na outra ponta, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Santa Catarina registraram índices inferiores a 2,5%.
Cenário nacional e regional
Em âmbito nacional, o Brasil alcançou pela primeira vez desde 2016 uma taxa de analfabetismo geral abaixo de 5%, chegando a 4,9% da população acima de 15 anos, o que equivale a 8,4 milhões de pessoas. Mais da metade desse contingente, cerca de 4,8 milhões, está concentrada no Nordeste, cuja taxa chegou a 10,6% no ano passado.
O Centro-Oeste apresentou o melhor desempenho entre as regiões no período analisado, com queda de 38% na taxa de analfabetismo de pretos e pardos, seguido pelo Sul e Sudeste. O Nordeste, por sua vez, registrou o menor avanço, com redução de 24%, saindo de 14,9% em 2016 para 11,3% em 2025.
Em números absolutos, a região Nordeste reduziu o contingente de pessoas pretas ou pardas analfabetas com 15 anos ou mais de 4,694 milhões em 2016 para 3,820 milhões em 2025, uma queda de 874 mil pessoas. O Maranhão contribuiu com parte expressiva desse resultado, embora os dados estaduais desagregados por cor ou raça não tenham sido detalhados na publicação do IBGE para o período.
Especialista aponta desafios estruturais
Doutor em Educação e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Givanildo da Silva avalia que o analfabetismo é reflexo direto das desigualdades sociais e econômicas historicamente enraizadas nas regiões mais vulneráveis. Para o pesquisador, o Nordeste como um todo foi penalizado por negligências sociais e políticas, incluindo trabalho infantil, desemprego, fome e desigualdade no acesso e na permanência escolar, fatores que comprometeram os indicadores educacionais da região no mapa nacional.
Apesar dos avanços registrados no Maranhão e em outros estados, o professor ressalta que a melhoria dos indicadores demanda investimentos contínuos em valorização salarial e formação de professores, infraestrutura escolar e políticas de permanência estudantil. Ele defende que os resultados educacionais exigem paciência histórica, mas que as mudanças observadas atualmente apontam para uma ruptura gradual com o passado e indicam uma trajetória positiva para a região.
Meta do PNE permanece não cumprida
A queda histórica registrada em 2025, com 592 mil pessoas a menos incapazes de ler e escrever em comparação com o ano anterior, não foi suficiente para atingir a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024. O dado reforça a necessidade de políticas públicas focalizadas para alcançar populações historicamente excluídas, especialmente nos estados do Nordeste, onde o Maranhão, apesar do protagonismo regional, ainda enfrenta desafios consideráveis para universalizar a alfabetização de sua população negra.
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